Libertadores 2018

Esse não é um texto sobre a semifinal da Libertadores

Chegando no estádio, todos confiantes, ansiosos mas como uma criança na Véspera de Natal, uma ansiedade boa, tiraram fotos, cantaram. Empolgados.
Ela não. Ela estava como em 99% das vezes: desejando o melhor, temendo o pior e bem no fundo já acreditando no apito final com gosto de classificação.

Entraram 1h25 antes, então, o Gol Norte estava um pouco vazio e ela aproveitou pra ir no banheiro.
Fechou a porta da cabine, abriu a calça e ficou naquela posição tão desagradável quanto conhecida pelos seres humanos com vagina.

Pensou se deveria esvaziar seu copinho, a última vez tinha sido há 3hrs e ela só poderia esvaziar de novo depois do jogo. Mas a ansiedade pro jogo era tanta que ela deixou pra depois. Menstruação não é prioridade em dia de Liberta.

1h20 pro jogo, chegaram e sentaram em seus lugares e começou a espera. O jogo que abriria o fim do ano.
Falou da vida com os amigos, jogou no celular, pensou se gastaria 5 reais no copinho de água.

A festa da abertura foi linda, digna do tamanho do time que ali tentaria virar o placar. O torcedor ficou mais empolgado, ela pensou “combine com o final, por favor”. E deu-se o apito inicial.

Jogo morno, Boca recuado aproveitando falhas e contra ataques, Palmeiras menos recuado (mas ainda muito recuado. É que esse tipo de esquema, pro Felipão, deve ser tipo enfiar um garfo no olho), mas tentando atacar. Sempre com a torcida apoiando.

Ela decidiu que cantaria os 90 minutos pois era necessário. Ela cantava sempre nos jogos, mas às vezes de menos e se sentia culpada se o resultado não fosse o esperado.

Após o gol anulado aos 10 do 1o tempo ela sentiu.
Aquela sensação de estar molhada e melada graças a um líquido quente. Mas não é como mijar nas calças, é uma mistura de toda e qualquer sensação de ter um líquido grosso saindo da sua vagina.

Decidiu esperar até o intervalo pra ir no banheiro e entrou em modo de contingência (parou de se mexer) e continuou cantando.

Prometeu que faria a tatuagem da promessa de 2016 até fevereiro. E que a dessa Libertadores seria a PRÓXIMA. São muitas promessas quando você ama um time.

Aos 18 do 1º tempo veio o 1×0 Boca e a dor na boca do estômago, mas ainda dava. Olha aquela torcida, olha o time, cada um dando o sangue do seu jeito. Vai virar.

No intervalo ela olhou para uma saída do setor, olhou para a outra e calculou que levaria mais do que 15min para ir e voltar do banheiro e isso era inaceitável, não poderia perder 1 segundo do jogo, então decidiu ficar.
Jogou mais no celular para segurar a ansiedade. Não deu certo.

Apito para o 2º tempo. 45 minutos para marcar 4 gols. Dava. Claro que dava. A torcida, os jogadores, todo mundo era a entidade Sociedade Esportiva Palmeiras naquele momento.

Mais uma onda de “ah lá, tô vazando”, mas foi pênalti pro Palmeiras. Ela não viu, ela nunca via pênaltis, especialmente em jogos importantes. Gol.
7 minutos depois, gol. Gustavo Gómez. Que baita homem. Tão deixando a gente sonhar…

Ela já nem sentia que sua calça tinha uma mancha de sangue do tamanho de uma mão, ela só queria aquela virada.
Prometeu que, se ganhasse aquele jogo, cantaria por 90 minutos em todos os jogos que fosse, começando agora. E assim foi.

10 minutos depois, 2×2 e a realidade bateu, mas não cairíamos quietos. Ela não cairia sem cantar.

Não sentiu mais nada durante o resto do jogo, estava dormente, mas sua calça manchava cada vez mais.

O verde, branco e vermelho é a cor do meu vício. Irônico.

Acabou e a torcida aplaudiu e continuou cantando.

Palmeiras, minha vida é você.

Esse não é um texto sobre a semifinal da Libertadores.

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Paulistão 2018

Palmeiras… Largo tudo só para te ver

Primeiramente alguns fatos:

1º Deyverson deveria fazer algum tipo de teste para ser considerado um ser humano, porque não é possível alguém se movimentar daquele jeito;
2º Guerra não pode jogar como 10. Guerra com Felipe Melo não funciona, precisa ser Guerra com Lucas Lima, este é o nosso criador de jogadas e não temos outros para substituir;
3º O que seria do Palmeiras sem o Keno?
4º Jailson é dono de nossos corações;
5º No meu atestado de óbito, a causa mortis será “jogo do Palmeiras que foi para os pênaltis”.

Agora, ao jogo…

Ansiedade não é novidade para mim, especialmente no caso do Palmeiras. Desde sábado passado, meu coração e alma amacetados e pisados, continuaram no Pacaembu. Eu usei distrações: mais futebol, aprender línguas, um novo curso para o currículo… Mas sempre que eu me distraia, o jogo estava lá. Como aquela dor de cabeça que fica no fundo do crânio e você toma remédio, chá, reza, pede bença etc e não passa. É algo que está ali e fica ali por dias. Quem nunca sentiu esse incomodo?

Sair de casa e fazer o caminho para o Pacaembu, voltar à arquibancada de concreto amarelo que eu tanto amo, que me sustentou durante vários anos, anos difíceis. Me assistiu e segurou durante 2014, um dos piores anos do Palmeiras atual. Ano do centenário. O Pacaembu é confortável, é casa, é um cantinho que me acolhe quando preciso esquecer das cadeiras, dos encostos de copo, dos ingressos a partir de R$180,00.

No caminho eu já sabia que a chuva me esperava e isso não me incomodou. Chuva e futebol combinam, apesar de pesar a bola e lances que poderiam ser bons acabam ficando no meio do caminho, a chuva me acalma. E me faz sentir mais parte ainda do jogo, eu estou ali, sem capa, cantando, pensando e focando somente no Palmeiras, assim como os jogadores. A água que ensopa e esfria, também une a torcida com o jogo.

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Esta que vos fala, assim que chegou ao Pacaembu. E a pessoa torta que me acompanha nos jogos

Primeiro tempo de jogo fácil do Palmeiras, de confiança, de torcida animada. Eu canto o tempo todo para não pensar no pior, pois é assim que meu cérebro funciona quando o assunto é Palmeiras: esperar o pior, ficar aliviada se o melhor acontecer.

Santos marcou.

Palmeiras marcou.

Santos marcou.

Veio a sombra mais assustadora que eu sempre enfrentei em meus anos como torcedora: pênaltis. Desde 2011, na semi do Paulista contra o SCCP, também na chuva, eu decidi não assistir mais pênaltis, mesmo aqueles no meio do jogo. Mesmo aquele que o F. Melo perdeu contra o Novohorizontino. Não vejo. Dói. É como se eu estivesse sendo sufocada e precisasse de ar. A golfada de ar vem a cada comemoração de pênalti marcado.

O senhoooor é Palmeirense, Palmeirense eu também sou, eu sou da Mancha, ele também, nós somos o Porco.

Não existe ateu em cobranças de pênalti valendo classificação.

1º Dudu

O senhoooor é Palmeirense, Palmeirense eu também sou, eu sou da Mancha, ele também, nós somos o Porco.

2º Tchê Tchê

O senhoooor é Palmeirense, Palmeirense eu também sou, eu sou da Mancha, ele também, nós somos o Porco.

3º Vitor Luis

O senhoooor é Palmeirense, Palmeirense eu também sou, eu sou da Mancha, ele também, nós somos o Porco.

*Jailso pega a cobrança de Diogo Vitor

O senhoooor é Palmeirense, Palmeirense eu também sou, eu sou da Mancha, ele também, nós somos o Porco.
Choro. Não consigo respirar. A golfada de ar é afogada pela chuva e pelo cachecol que seguro contra o rosto. Aquele cachecol que me acompanhou e cobriu meu rosto nos pênaltis contra o Fluminense e o próprio Santos, em 2015.

4º Moisés

5º Guerra

Acabou.

Gritam, comemoram, cantam, me abraçam. Eu choro. Eu sinto o alívio de quem estava a 3 metros de profundidade num oceano escuro e alguém puxou de volta. Alguéns. A torcida, eles me trazem de volta de uma dor e uma agonia que estavam me levando à loucura. Eu os abraço, eu canto, eu olho pra chuva, ela me congela, me faz voltar de volta à terra. A chuva e a torcida. Tudo é uma coisa só.

Hino, músicas, mais abraço.

Os momentos que vivi não consigo esquecer. Vou seguir o meu Palmeiras até quando eu morrer. É inexplicável esse amor que eu sinto por você, vou passar para o meu filho desde o dia em que nascer. E me parte o coração quando te vejo perder. Conto as horas, meu Palmeiras, para apoiar você.

Palmeiras… largo tudo só para te ver.

Largo minha sanidade, minha família, minha saúde, meu bom senso.

E que venha a final.

Paulistão 2018

O bar do desespero e nostalgia

Bar do Seu Nelson, 18:50, 24/03/2018 – Mooca, São Paulo/SP

– Se fosse o Paulo Nobre, brigaria pro jogo ser no Allianz, na quinta-feira – diz a torcedora que esquece que não sabemos quando as finais acontecerão (e se o Palmeiras passará).

Os times já estão enfileirados para o hino nacional, cada jogador com um olhar diferente. Alguns parecem concentrados, preocupados. Outros coçam o nariz e dão a impressão de que estão prestes a entrar no consultório do dentista, não em uma semi-final do Paulistão.

– Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palme-eiras. Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeiras – entoam os torcedores, como faríamos (e faremos) no estádio, vandalizando o hino nacional. Mas, a força da voz não dura muito e logo esquecem de continuar o ritual.
E o hino toca inteiro.

– Como pode? Não tem alguém da Educação Física, algum médico, pra dizer que os jogadores aquecidos não podem ficar 2 minutos parados ouvindo esse hino idiota? – é o questionamento de um torcedor.

A bola rola. Com ela, meu coração e alma juntos, ali dentro, sendo conduzidos por 22 pessoas, 44 pés, dividindo espaço com outros milhões de corações e almas alviverdes que estão ali.

– Vocês lembram de como a camisa de 70 era bonita? – Temos um nostálgico, vestido de Itália, no meio da multidão

Keno é o nome do jogo, é rápido, toca bonito, toca como se conseguisse ler a mente do adversário e adiantar seus movimentos.

– Esse Keno é bom demais, por que ficava tanto no banco? – se pergunta o torcedor que já esqueceu como o Cuca preferia Dudu e Willian nos lados com Deyverson ou Borja no meio.
Sem Borja, Keno e Willian vem pelas laterais para o meio e confundem o adversário, que perde a referência do 9 a ser marcado. Victor Luis e Keno transformam a esquerda num pesadelo santista.

Aos 12 minutos vem o gol, com uma arrancada de, obviamente, Keno pela esquerda. Que vê Bruno Henrique no meio, mas este não chuta pro gol (apesar de a torcida ter pedido, e muito) pois vê Dudu desmarcado na direita.
Dudu, o capitão que saiu da lista de mais amados do elenco para muitos Palmeirenses, cruza a bola por baixo das pernas de Vitor Bueno? Sei lá eu. Para Willian, que finaliza já apontando para o capitão que deu aquele gol de bandeja.

– Olha essa jogada;

– Olha como esse time toca a bola;

– Me dá tesão ver esses toques;

– QUEM É CUCA?

– Mas quando é o jogo contra o Boca? – pergunta o nostálgico.

A torcida canta, bebe e comemora. O Palmeiras continua dominando o jogo até o final do 1º tempo, com alguns sustos, alguns outros quase-gols e muita corneta.

Numa vacilada do Vanderlei e aperto de Lucas Limas, o goleiro santista erra o passe que é bloqueado pelo meia, mas o juiz dá falta porque a bola bateu no cotovelo… Enquanto Lucas Limas estava de costas para a jogada.

– O que seu pai falava do Ademir? – o nostálgico não para, ele quer conversar, o jogo é secundário.

Thiago Martins, em uma de suas grandes demonstrações de garotice, perde a bola na lateral da grande área para Gabriel, o 10 da equipe de Santos, que não perde a oportunidade e poderia ter marcado se não fosse Jailson.

O homem que todos querem ser ou ter. O goleiro que estava invicto até o dérbi que-não-deve-ser-mencionado.

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– AQUI TEM GOLEIRO – vários diziam.
E tem mesmo. Da sua defesa inacreditável veio um escanteio, novamente defendido de maneira espetacular.

O segundo tempo foi marcado por investidas palmeirenses, sem ninguém na área quando a bola era cruzada, sustos e xingos ao Tchê Tchê.

O lado direito do Palmeiras, sem Marcos Rocha, virou a Avenida Paulista de domingo. E o resto do time, cansado e segurando o pé, vacilou em vários momentos. As substituições não ajudaram, aconteceram por cansaço dos jogadores e o Roger não pode arriscar ficar sem Marcos Rocha, Felipe Melo e Bruno Henrique no jogo de volta.

A cada substituição, um “vai tirar o Tchê Tchê?” era ouvido.

E a partir dos 38 minutos do segundo tempo eu comecei a contar os segundos para o fim do jogo, uma vez que o Palmeiras, cada vez mais cansado, ficava no campo de defesa e dava espaço para os ataques santistas.

40 minutos “ok, mais uns 7 minutos”

– Você lembra daquele jogo contra o São Caetano em 2002? – cala a boca, nostálgico

42 minutos “mais 5 minutos”

Um susto, um ataque, uma aproximação da área.

45 minutos “tá, mais uns 2 ou 3 de acréscQUATRO MINUTOS DE ACRÉSCIMO? VOCÊ TÁ LOCO, JUIZ?”

47 minutos “mais 2 minutos. 1 minuto e 45 segundos. 1 minuto e 20 segundos”

48 minutos “pelo amor de deus, não deixa a bola ir para a direita”

49 minutos acabou.

A torcida canta DÁ-LHE DÁ-LHE DÁ-LHE PORCO, SEREMOS CAMPEÕES, MAIS UMA VEZ e eu só consigo reunir de volta meu coração e minha alma, voltados da bola, pisoteados e chutados, para os colocar no mesmo Pacaembu, na terça-feira.

Paulistão 2018

Goleando. Ou melhor, chutando cachorro morto.

Veja bem, não é que eu não tenha comemorado os 5 gols da partida (e xingando Felipe Melo pelo pênalti perdido – apesar de sentir uma certa tendência cômica pela falha do volante) e a vitória/classificação.

Obviamente eu estou feliz com o resultado.

Mas, entretanto, todavia: foi uma vitória fácil, se não goleasse seria preocupante. Um time com os recursos que o Palmeiras tem é obrigado a golear um Novohorizontino da vida, ainda mais jogando em casa e com vantagem de 3 gols.
A qualidade técnica do Novohorizontino em comparação com a do Palmeiras é (infelizmente, para o futebol paulista) abismal, a defesa do adversário estava morta antes mesmo de entrar em campo – jogar contra um dos quatro grandes na casa dele, com aquela desvantagem? Não é para menos.

Até gol de semi-passe-que-virou-chapéu-e-entrou teve.

Agora que talvez venha Santos (ou Bragantino ou São Paulo ou Ipatinga ou Votuporanguense ou qualquer porra de time já que o Paulistão é mais complicado que curso de Astronomia) a coisa fica mais complicada.

Sim, ganhamos do Santos na primeira fase. E do SPFC. Mas e aquela PIPOCADA MAGISTRAL (porque chamar de jogo é ser muito educado) contra o SCCP?
Naquele show de horrores, marcado por chutões de ligação direta, ignorando completamente a função do meio campo, ou o que podemos chamar de tentativa de jogo rápido, mesmo estando com Michel Calça Jeans Bastos na lateral esquerda, o posicionamento do time todo estava confusa e o elenco se escondeu.
Além do grande erro de tirar o Bigode, que pegou na bola em todas as vezes que tivemos chances de gol.

O Roger parece ter aprendido com os erros depois dessa vergonha, o time vem jogando bem e redondo, inclusive quando há substituições. O elenco segue entrosado e dá apoio para os novos nomes, Papagaio e Fernando, irem se adaptando.

Mas clássico é clássico e a chances de acontecer um na semi são altas. Expliquemos:

– Se o SCCP passar, seja no tempo normal ou nos pênaltis, os confrontos serão Palmeiras x Santos e SCCP x SPFC. Ou seja, a gambazada não tem outro adversário. Classificando, enfrenta o Jd. Sônia.

– Caso o Bragantino avance com vitória ou empate, as semifinais terão Palmeiras x Santos e Bragantino x SPFC.

***OBS***: se o Bragantino obtiver a vaga nos pênaltis, muda tudo. O Palmeiras joga contra os pé de barro, enquanto o SPFC pegaria o Santos.

Ou seja, a não ser que o Bragantino passe nos pênaltis, jogamos contra o Santos. E o Paulista de 2016 eu ainda não engoli.

Por isso, concluo este post com TORCEDORES, CALMA.

(a foto do post eu peguei no O Lance!)